Ola a todas minhas queridas leitoras!
Resolvi postar esta matéria do Leandro Martins, em entrevista a Money letter, pois acredito ser importante salientar um aparente "erro" de alguns investidores, como: achar que as ações estão baratas demais ou muito caras. Ele explica de maneira bem didática, o que devemos fazer para evitar tais erros.
Em períodos de instabilidade econômica, os investidores temem adquirir mais ações e, por isso, vendem seus ativos a qualquer custo e acabam pressionando os preços para baixo. O especialista comenta o assunto e dá dicas importantes para o investidor pessoa física.

Por Leandro Martins
O investidor de ações que, em geral, já erra quando a bolsa vai bem, comete ainda mais erros quando o mercado está em crise. A exemplo disso, é possível citar o receio que as crises de 2008 e 2001 causaram nos investidores do mundo todo.
Lembro-me que as ações da Ultrapar e da Natura já apresentavam bom momento de alta em 2008, mesmo antes da forte recuperação dos mercados ao longo de 2009. Nesta ocasião, recomendei essas duas ações aos investidores. Porém, muitos destes e até alguns estudiosos do mercado financeiro retrucavam a minha indicação e chegavam a afirmar que essas ações já estavam caras e, por isso mesmo, preferiam ações mais baratas, que estavam em forte queda.
Como era previsível, essas ações ficaram ainda mais caras e as “baratinhas” mais baratas ainda. Ou seja, a ilusão de que o investidor só ganha com pechinchas é um dos principais erros dos investidores, e ainda são cometidos com maior freqüência em momentos de crise.
Vejam só alguns papeis que tenho recomendado desde o início do ano. Ambev, Brasil Foods, Marcopolo, Redecard, CCR Rodovias, Aes Tiete, Telesp e Souza Cruz. Ótimas empresas e, em geral, boas pagadoras de dividendos e com contratos reajustáveis pela inflação. Nos casos da Ambev e Brasil Foods, empresas soberanas em nosso mercado. E o principal motivo pelo qual as indico: todas essas ações estavam caras. Isso mesmo! Ao acompanhar os gráficos dessas ações elas estavam caras e continuam cada vez mais caras.
Segundo a análise técnica (também conhecida como análise gráfica), o preço alto das ações significa que elas têm apresentado, ao longo dos últimos meses ou anos, boa tendência altista, ou seja, há mais compradores que vendedores. Caso o momento melhore, os papeis provavelmente irão apresentar menor quantidade de vendedores e, com isso, os compradores terão maior dificuldade em encontrar sua contraparte, o que resultará em preços permanecendo na tendência altista, como ocorreu com a Ultrapar e a Natura em 2009, após estarem caras em 2008.
Em meados de setembro de 2011, ao ministrar uma palestra, recomendei as ações da AmBev, Redecard e Brasil Foods. Uma investidora levantou a mão e disse que essas ações já estavam muito caras e que, por isso mesmo, gostaria que eu indicasse ações baratas. Após algumas semanas ela percebeu que eu estava certo: essas ações estavam mais caras ainda, o que indica que fez bom negócio o investidor que optou por estas.
Para evitar esse grande erro – o de comprar ações baratas com receio da crise -, o investidor deve perceber e analisar a briga entre compradores e vendedores para encontrar o lado mais forte, e não apenas procurar negócios da China, por exemplo, cujas ações estão sobrevendidas e, por isso mesmo, projeta um certo tipo de sonho em acertar no meio da mosca e ficar milionário da noite para o dia!
Outro erro cometido é negociar ações com pouca liquidez. Boas empresas apresentam um ótimo histórico de liquidez. Devem estar pelo menos no Ibovespa ou no IBX-100 (índice que contempla as 100 ações mais líquidas).
Por fim, em decorrência da maior volatilidade presente em momentos de crise o investidor deve ter calma e disciplina para investir com segurança e aplicar o uso do stop. A ausência da parada de perda, conhecida como stop-loss, poderá ser bem sentida caso a ação comprada despenque como o ocorrido com a Positivo, em 2007, a Usiminas, em 2008, e agora com a Marfrig.
Contudo, não acompanhar a tendência da ação, operar ações com histórico de baixa liquidez, e não ter disciplina para aplicar o stop são, na minha opinião, os maiores erros detectados juntos aos investidores neste momento de crise.
Leandro Martins
Formado em Economia, com MBA em finanças pela USP e pela FIPE, e Master (Mestrado) em Economia pela Universidade de Grenoble. É especializado em análise de ações e Profissional de Investimento certificado pelo CNPI, registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como analista pleno de investimentos. Colunista de diversos portais de investimentos e de programa na rádio FM de São Paulo como comentarista de ações. Fundador do site www.seuconsultorfinanceiro.com.br. Autor do livro "Aprenda a Investir - Saiba Onde e Como Aplicar Seu Dinheiro" 2ª edição – 2008, editora Atlas. Palestrante do Circuito Expo Money e professor na Anbima, Apimec e BMF Bovespa



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